Alerta de Engenharia: Você já calculou o risco de colapso de uma coluna de destilação devido a um incêndio interno não detectado? Muitos engenheiros de processo focam no alívio de pressão e falhas externas, mas o perigo pirofórico (de autoignição) durante paradas de manutenção representa uma ameaça insidiosa e devastadora.
A Agência de Segurança de Processo (EPSC) destaca um caso crítico que serve como um aviso severo: uma coluna de destilação em uma refinaria foi parada, limpa e aberta para trabalhos de manutenção. Aparentemente, era um procedimento de rotina, mas a introdução de ar desencadeou uma reação química que resultou no colapso da coluna devido ao calor de um incêndio interno.
O gatilho: O que transformou uma rotina de manutenção em uma falha estrutural catastrófica? A resposta está nos depósitos de Sulfeto de Ferro (FeS) e carbono.
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Introdução: O Perigo Oculto dos Depósitos Pirofóricos
Em ambientes de óleo e gás, equipamentos feitos de ferro tendem a formar Sulfeto de Ferro (FeS) em suas superfícies internas. Este composto é o principal culpado por trás dos riscos pirofóricos.
O colapso da coluna em questão ocorreu porque, ao ser aberta, o ar (oxigênio) começou a reagir com os depósitos de FeS e carbono. O calor gerado por esta reação de oxidação foi tão intenso que enfraqueceu rapidamente a estrutura metálica da coluna, resultando em seu colapso. Este incidente sublinha a necessidade urgente de aumentar a conscientização e a discussão sobre a segurança de processo em relação aos perigos pirofóricos.
Desenvolvimento: A Cinética da Destruição
Para engenheiros, entender a mecânica dessa falha é essencial para prevenir futuras ocorrências.
1. A Formação do Sulfeto de Ferro (FeS)
O FeS é um subproduto comum em ambientes de hidrocarbonetos contendo sulfeto de hidrogênio (H₂S). A norma da EPSC aponta que torres com recheio (packed towers) são particularmente propensas à formação desses depósitos internos.
2. O Risco de Exposição ao Oxigênio
Quando o equipamento está em operação, o ambiente interno é anóxico ou com baixo teor de oxigênio. O risco surge durante o shutdown, quando a coluna é aberta para manutenção e o oxigênio é introduzido.
O FeS é altamente reativo: ele reage com o oxigênio mesmo à temperatura ambiente. Esta reação é exotérmica, ou seja, libera calor. Se a temperatura aumentar devido à oxidação inicial do FeS, os resíduos de (hidro)carbono presentes nos depósitos também podem começar a queimar. A queima combinada do FeS e dos resíduos de carbono gera calor suficiente para enfraquecer o metal do equipamento rapidamente, levando à falha estrutural, como ocorreu no colapso da coluna.
3. Estratégias de Mitigação: O Que Deve Ser Feito Antes e Depois da Abertura
Para gerenciar este risco, a segurança de processo exige que medidas preventivas sejam implementadas tanto no planejamento quanto na execução da manutenção:
• Consideração Prévia do Risco: Antes de abrir uma torre de refinaria, é obrigatório considerar os perigos de depósitos pirofóricos ou de autoaquecimento.
• Limpeza Química: Métodos de limpeza química podem ser utilizados para reduzir o risco de incêndios no recheio, pois visam remover materiais combustíveis.
• Atenção ao Limite da Limpeza Química: É crucial notar que a limpeza química, embora útil, não pode ser considerada suficiente para eliminar completamente o risco pirofórico. A eliminação completa do risco requer métodos complementares.
• Controle Pós-Abertura (Monitoramento): Após a abertura do equipamento, o calor gerado pela oxidação deve ser ativamente controlado. Isso é feito através de umectação (wetting) frequente e monitoramento constante da temperatura. A umectação ajuda a resfriar os depósitos e a manter a reação sob controle.
Conclusão: Nunca Subestime o Perigo Pirofórico
O colapso da coluna de destilação da refinaria demonstra que a manutenção em sistemas de óleo e gás deve ser guiada por uma compreensão profunda dos riscos químicos, e não apenas pela conformidade mecânica.
A regra de ouro é: os riscos de depósitos pirofóricos devem ser ativamente gerenciados antes da abertura e monitorados rigorosamente após a exposição ao ar. Não assuma que a limpeza inicial eliminou o perigo. Para engenheiros focados na segurança de processo, a lição é clara: a conscientização sobre os perigos pirofóricos exige a implementação de procedimentos robustos de controle de temperatura e umectação para evitar que uma reação química de baixo nível se transforme em uma falha terminal de US$ milhões.
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Referências
EPSC. EPSC Learning Sheet – Collapsed Distillation column
